Um ano após a morte de Lourivaldo Ferreira Nepomuceno, de 35 anos, morador do Jardim São Judas, em Taboão da Serra, o caso volta a gerar questionamentos sobre segurança no sistema metroviário de São Paulo. O passageiro morreu em 6 de maio de 2025 após ficar preso entre o vão e a porta de plataforma da Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, operada pela ViaMobilidade.
Lourivaldo tentava embarcar por volta das 8h, em horário de pico, quando ocorreu o acidente. Segundo relatos de testemunhas, a plataforma estava lotada e passageiros ficaram em choque diante da ocorrência.
Na época, a concessionária informou que o passageiro teria tentado embarcar com as portas em fechamento e acabou ficando preso entre o trem e a plataforma. A empresa afirmou ainda que prestou apoio à família e abriu procedimentos internos para apurar o caso.
Um ano depois, reportagem divulgada pela TV Globo e pelo portal g1 aponta que a investigação conduzida pelo Metrô de São Paulo foi concluída sem detalhar publicamente quais falhas levaram ao acidente. Em nota, o Metrô resumiu o resultado da sindicância informando apenas que “as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas”.
Outro ponto que chama atenção é que, apesar das promessas feitas após a tragédia, sensores de presença, tecnologia capaz de identificar pessoas no espaço entre o trem e a plataforma e impedir a partida da composição, ainda não foram instalados nas estações da Linha 5-Lilás. No lugar, foram colocadas apenas barreiras físicas de proteção.
Documentos obtidos pela reportagem nacional indicam que falhas no sistema de portas de plataforma já eram conhecidas ao menos desde 2021, após registros de ocorrências semelhantes.
Além disso, a instalação das portas de plataforma em linhas mais antigas do metrô paulista segue atrasada. Na Linha 1-Azul, apenas duas das 23 estações contam atualmente com o equipamento, segundo documentos citados pela reportagem. O contrato firmado em 2019 previa a instalação de 88 portas até 2024, prazo que já foi adiado mais de uma vez.
O caso de Lourivaldo também teve desdobramento judicial. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o inquérito policial foi arquivado a pedido do Ministério Público, sem indicação de responsabilização criminal.
Casado e pai de três filhos, Lourivaldo completaria 36 anos poucos dias após o acidente. Familiares seguem cobrando respostas mais detalhadas sobre o que ocorreu naquela manhã na estação Campo Limpo, na zona sul da capital paulista.