A Justiça determinou o afastamento cautelar de um delegado da Polícia Civil investigado por suposto envolvimento com uma organização criminosa que atuaria a partir de uma empresa do setor de implementos rodoviários instalada em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A decisão foi tomada na última sexta-feira (6), após pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

Segundo apurou a reportagem, o delegado afastado seria Luiz Roberto Faria Hellmeister. Ele, no entanto, não atua mais como delegado em Itapecerica da Serra desde 2025.

Na mesma decisão judicial, dois empresários, pai e filho, tiveram a prisão preventiva decretada. Já uma filha de um dos investigados e uma funcionária da empresa foram alvo de medidas cautelares que as impedem de acessar a companhia investigada e determinam comparecimento periódico à Justiça para informar suas atividades.

As cinco pessoas passaram à condição de rés após a Justiça aceitar denúncia apresentada pelo Ministério Público.

De acordo com as investigações, o grupo teria estruturado uma organização criminosa que operava por meio de uma empresa do ramo de implementos rodoviários sediada em Itapecerica da Serra. A suspeita é de que a estrutura empresarial fosse utilizada para comercializar reboques e semirreboques com sinais identificadores adulterados ou suprimidos, muitos deles com origem ilícita.

Para viabilizar o esquema, os veículos eram apresentados como se fossem novos ou de fabricação própria, com emissão de documentos e notas fiscais que mascarariam a real procedência dos equipamentos.

As investigações também apontaram que os líderes do grupo coordenavam as atividades ilícitas e o relacionamento com clientes e funcionários, enquanto outros integrantes atuavam nas áreas administrativa, financeira e comercial da empresa, movimentando valores e participando de transações ligadas ao esquema.

Durante fiscalizações rodoviárias realizadas em diferentes estados, autoridades identificaram implementos registrados como sendo da empresa investigada, mas que apresentavam características estruturais de outros fabricantes, além de indícios de remarcação de chassi.

Segundo o Ministério Público, o delegado denunciado teria utilizado as prerrogativas do cargo para atuar em favor da organização criminosa, facilitando suas atividades e contribuindo para a proteção do grupo.

O caso segue em tramitação na Justiça e as investigações continuam para esclarecer a extensão do esquema e a participação de cada investigado.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do citado. O espaço segue aberto para manifestação.