Laudo confirma metanol em bebida consumida por jovem com sequelas graves em Itapecerica da Serra
Laudo confirma metanol em bebida consumida por jovem com sequelas graves em Itapecerica da Serra
Karen Santiago
A vida de Guilherme Torres da Silva, de 21 anos, morador do bairro Idemori, em Itapecerica da Serra, mudou drasticamente após consumir uma bebida alcoólica adulterada com metanol, em agosto de 2025. Após permanecer internado por meses, o jovem recebeu alta médica, mas ficou com sequelas neurológicas graves, que comprometem sua mobilidade, alimentação e autonomia, exigindo cuidados permanentes da família, especialmente da mãe.
Segundo apuração do Click Regional, os laudos periciais solicitados pelo delegado titular do caso, Vítor Santos de Jesus, confirmaram a presença de metanol em garrafas de whisky apreendidas durante a investigação, além da violação dos lacres dos produtos. O laudo referente ao gim ainda não foi concluído.
A Polícia Civil informou que irá notificar os responsáveis pela fabricação e comercialização das bebidas. De acordo com as investigações, existem duas versões sobre qual bebida teria sido consumida pelo jovem — gim ou whisky —, conforme relatos de testemunhas. No entanto, o delegado afirma que os indícios apontam para o whisky.
“Tudo leva a crer que o jovem consumiu o whisky Valentaemes, já que o laudo desse produto apresentou resultado positivo para metanol”, explicou o delegado Vítor Santos de Jesus.
“Ele estar vivo é um milagre”, diz a mãe
Em entrevista ao Click Regional, a mãe de Guilherme, Daniele, relatou o sofrimento vivido pela família desde a internação do filho.
“Os médicos tinham desenganado. Até me emociono ao lembrar. Foram duas paradas cardiorrespiratórias, duas entubações, meses de internação. O caso foi muito complicado. Ele estar em casa, respirando, é um milagre”, afirmou.
Segundo ela, o jovem agora enfrenta um longo processo de reabilitação. “Precisamos correr contra o tempo. Ele precisa de fisioterapia e fonoaudiólogo. Não perdeu todos os movimentos, mas precisa reaprender a andar. É um processo lento. Também precisamos adaptar um quarto para que ele possa se reabilitar da melhor forma possível”, completou.
Jovem levava vida ativa antes do caso
Antes da intoxicação, Guilherme trabalhava em uma fábrica de fios, era fisicamente ativo, jogava futebol e é pai de um menino de dois anos. A família reforça que ele não frequentava adegas com regularidade, consumindo bebidas alcoólicas apenas de forma social, com amigos.
Para custear os tratamentos, adaptações e despesas médicas, familiares e amigos criaram uma vaquinha online. As doações podem ser feitas pelo link: https://www.vakinha.com.br/5859653
As adegas citadas nas investigações funcionam na Estrada dos Coqueiros, em Itapecerica da Serra. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.