Polícia Civil detalha emboscada e execução de PM após localizar corpo em Embu-Guaçu
Polícia Civil detalha emboscada e execução de PM após localizar corpo em Embu-Guaçu
Karen Santiago
A Polícia Civil concedeu coletiva de imprensa na tarde deste domingo, 11 de janeiro, em Itapecerica da Serra, após a localização de um corpo que, segundo as investigações, deve ser do policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, que estava desaparecido. As informações foram apresentadas pelo delegado titular do caso, Dr. Vítor Santos de Jesus, responsável pelo trabalho que culminou na prisão de ao menos quatro envolvidos no crime.
De acordo com o delegado, a principal linha de investigação aponta que o policial esteve reunido com um amigo nas proximidades da casa do filho, no bairro Horizonte Azul, na zona Sul da capital paulista, para um momento de confraternização. Durante o encontro, um terceiro indivíduo, identificado como Riclecio, que não era amigo do policial, se juntou ao grupo.
Ainda segundo a Polícia Civil, em determinado momento houve um desentendimento após Riclecio fazer uso de um pino de cocaína na frente do policial militar. Sentindo-se desrespeitado, Fabrício Gomes de Santana o repreendeu. Inicialmente, Riclecio teria pedido desculpas, mas deixou o local e, conforme a investigação, foi até líderes do tráfico de drogas da região.
Riclecio teria delatado Isaque, afirmando que ele permitia a presença de um policial militar em uma área dominada pelo tráfico. Segundo o delegado, a presença de agentes de segurança pública nessas regiões não costuma ser tolerada por organizações criminosas. Em razão disso, Isaque teria sido chamado para prestar esclarecimentos.
O delegado informou que Isaque não compareceu sozinho: ele teria convencido o policial a acompanhá-lo até um bar, sob o pretexto de resolver a situação. No local, o policial foi desarmado, rendido e levado à força para um ponto ainda em apuração. Nesse local, conforme a investigação, ocorreu um julgamento sumário, que resultou na condenação à morte do policial, unicamente por ele ser policial militar e por estar, segundo a apuração, em um reduto do crime.
Diante dos fatos, a Polícia Civil representou pela prisão temporária de Riclecio e Isaque. As investigações também identificaram a participação de um terceiro envolvido, proprietário de um veículo Corsa, que teria admitido envolvimento na ação criminosa - esse veículo aparece em imagens de videomonitoramento atrás do ford Ka, do PM. Ainda conforme a polícia, outra pessoa conduzia o veículo do policial no momento dos fatos. Na quinta, 8, o carro do policial apareceu carbonizado no bairro da Lagoa em Itapecerica.
O corpo da vítima teria sido levado para uma área de mata no município de Embu-Guaçu, sendo posteriormente enterrado em um sítio localizado no bairro Cipó. Imagens de câmeras de monitoramento mostraram um Gol prata seguindo em direção à região de sítios, o que permitiu aos investigadores delimitar um perímetro de buscas.
Durante as diligências, os policiais chegaram a um sítio cujo proprietário, identificado como André, autorizou a entrada da equipe. No local, foram encontrados indícios de terra recentemente remexida, o que levantou suspeitas. A área foi preservada e, na manhã deste domingo (11), equipes do Corpo de Bombeiros e da perícia técnica localizaram um corpo enterrado no local.
Embora a confirmação oficial dependa dos exames do Instituto Médico Legal (IML), o reconhecimento preliminar foi possível por meio de uma aliança encontrada junto ao corpo, o que reforça a possibilidade de se tratar de Fabrício Gomes de Santana.
Ainda durante a coletiva, o delegado informou que André foi conduzido à delegacia. Após interrogatórios com funcionários e com o caseiro do sítio, a Polícia Civil apurou que há indícios de que ele tenha participado, ao menos, da ocultação do cadáver. Segundo a investigação, André teria cedido o sítio para o sepultamento clandestino e auxiliado na remoção do corpo, que estava no porta-malas do Gol prata, até o fundo da propriedade. Por esse motivo, a polícia também representou pela prisão temporária dele.
Ao todo, quatro indivíduos já foram identificados como envolvidos diretamente no crime. Outras qualificações não foram divulgadas, segundo o delegado, para não comprometer o andamento das investigações.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de que o policial tenha tentado fugir por uma residência no bairro Vera Cruz. O imóvel deverá passar por exames com luminol para identificar possíveis vestígios de sangue. Ainda não há confirmação se a execução ocorreu nesse local ou em outro ponto. Os proprietários da casa estão sendo identificados.
O caseiro do sítio, até o momento, não é tratado como suspeito. Pelo menos outras quatro pessoas seguem sendo investigadas pelos atos: de execução, de descarte do corpo e veículo. A Polícia Civil afirmou que as diligências continuam para esclarecer completamente a dinâmica do crime e identificar todos os envolvidos.